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Marca foi conquistada em Montes Claros (MG), com 289,2 km em linha reta e 291,7 km OLC, em um voo de 6h59 que entrou para a história da categoria feminina
O voo livre feminino brasileiro ganhou mais uma marca para celebrar. Priscila Fevereiro estabeleceu o novo recorde feminino de distância da Rampa Rico Britto, em Montes Claros (MG), após percorrer 289,2 km em linha reta e 291,7 km OLC.
Foram 6h59 de voo, com decolagem por volta das 10h40 e pouso no fim da tarde, em Natalândia (MG). Mas os números, por si só, contam apenas parte dessa história.
A conquista ganha ainda mais força pelo momento vivido por Priscila. Depois de cerca de oito anos afastada de uma rotina mais intensa no esporte, ela voltou a acelerar os treinos, retomou os voos de distância e, logo em sua primeira experiência em Montes Claros, cravou uma marca histórica para a categoria feminina.
“Pra mim, o mais incrível não são os quilômetros, não é o tempo de voo. Depois de oito anos eu estar voltando e fazer um voo desse… Eu tô em êxtase até agora. Me emocionei muito em voo e tô muito feliz”, relatou.
O novo recorde da Rampa Rico Britto é mais do que uma grande marca de distância.
É também uma conquista que coloca novamente as mulheres em evidência nos grandes voos de cross country e ajuda a ampliar as referências femininas dentro do esporte.
Cada novo recorde abre caminho para o próximo. E quando essa marca vem na categoria feminina, ela ganha um significado ainda mais especial: mostra o nível técnico que as mulheres vêm alcançando, fortalece a presença feminina no voo livre e pode servir de inspiração para outras mulheres que já voam — e também para aquelas que ainda estão começando.
Curiosamente, a tentativa de recorde não vinha sendo preparada havia semanas.
Segundo Priscila, Nickolas Conde estava acompanhando a previsão meteorológica e identificou uma boa janela para Montes Claros.
No sábado anterior, o grupo havia voado em Andradas (MG), mas encontrou um dia bastante difícil. O voo rendeu pouco, e a decisão de seguir para Montes Claros veio logo depois do pouso.
“Quando a gente pousou, decidiu que viria no domingo pra cá. A gente tinha tiro só pra segunda-feira”, contou.
Era uma oportunidade única.
E ela foi muito bem aproveitada.
A decolagem aconteceu por volta das 10h40, em uma condição tranquila. Cerca de meia hora depois, o grupo já havia deixado a região da rampa e começava a construir o cross.
Se a conquista levou o nome de Priscila ao recorde feminino, o próprio relato dela destaca outro ponto fundamental daquele dia: o trabalho em equipe.
Ela decolou ao lado de Nickolas Conde, Lúcio Parrela e outro integrante do grupo. E os quatro seguiram praticamente toda a rota juntos.
“Decolamos juntos, voamos juntos e pousamos juntos. Foi um baita voo em equipe, funcionou muito bem. Aquilo foi o real sentido do voo em equipe”, contou.
Em um voo de quase sete horas, essa sintonia faz diferença. A leitura compartilhada das térmicas, das melhores linhas e das possibilidades de progressão ajuda a manter o grupo eficiente e em movimento.
E naquele dia, além da parceria, a condição também entregou muito.
Priscila resumiu o voo de um jeito que quem vive o voo livre entende na hora: “o voo inteiro eu fiquei estratosferada”.
Os dados mostram uma altitude máxima de 2.688 metros e ganho de altitude de 1.842 metros. Segundo o relato, as térmicas chegaram a 5 e 5,5 m/s, acompanhadas de excelentes formações de cloud streets.
“Térmica de 5, 5,5… Foi incrível. As cloud streets top”, contou.
Foi um dia de progressão forte e constante.
A combinação de boa altitude, térmicas potentes e linhas bem formadas permitiu um voo muito eficiente. Os números ajudam a mostrar isso: velocidade média de 49,1 km/h e máxima de 80,8 km/h.
Priscila também destacou que não enfrentou grandes momentos de aperto ao longo da rota. A condição permitiu permanecer alta praticamente o voo inteiro e avançar com consistência durante toda a tarde.
Outro detalhe torna essa conquista ainda mais marcante: Priscila nunca havia voado em Montes Claros.
A estreia foi diretamente para o livro dos recordes.
“Eu nunca tinha voado aqui em Montes Claros, foi a primeira vez. Foi top. Estreia com chave de ouro”, afirmou.
O grupo pousou por volta das 17h40, em Natalândia (MG), depois de praticamente sete horas de voo.
E o fim daquele dia ainda teve um capítulo especial. Após o pouso, eles foram recebidos por crianças da região, em uma cena que Priscila fez questão de lembrar no relato.
“Aquela recepção incrível da molecadinha, a meninada toda. Foi muito bacana”, disse.
O resgate ainda levaria quase sete horas, mas naquele ponto o que predominava era a satisfação de ter construído um voo inesquecível.
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Entre todos os números do recorde, talvez nenhum explique melhor a emoção de Priscila do que os oito anos que antecederam esse momento.
A retomada ao esporte vem acompanhada de novos projetos, mais treinamento e vontade de voltar a fazer grandes voos.
Por isso, quando fala da conquista, ela deixa claro que o impacto vai muito além dos 291,7 km OLC.
“Depois de oito anos eu estar voltando e fazer um voo desse… Eu tô em êxtase até agora. Me emocionei muito em voo”, contou.
Priscila também destacou o apoio de Nickolas Conde nesse processo, além da parceria de Lúcio Parrela e dos demais integrantes do grupo.
É uma retomada construída com trabalho, apoio e muita vontade de voar.
O recorde em Montes Claros não encerra esse novo capítulo.
Pelo contrário.
Priscila já está mirando os próximos voos e intensificando a preparação. Entre os planos está subir para o Sertão, cenário dos maiores voos de distância do país.
“Agora é treinar, voltar pros treinos. A gente tá intensificando bastante, querendo subir pro Sertão esse ano. Estamos com bastante projeto e vamos ver o que a vida tem reservado pra gente”, afirmou.
A nova marca da Rampa Rico Britto passa, assim, a representar muito mais do que um número.
São 289,2 km em linha reta e 291,7 km OLC. Uma conquista histórica para Priscila Fevereiro, para Montes Claros e, principalmente, para o voo livre feminino brasileiro.
Uma marca que celebra desempenho, retomada e inspiração — e que mostra que novas histórias ainda estão por vir.