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Atleta de Curitiba conquista o título em Andradas (MG), em uma edição histórica que marca o fortalecimento da modalidade com reconhecimento e apoio da CBVL.
O Hike & Fly brasileiro tem seu primeiro campeão nacional. O paranaense Gabriel “Gabe” Jansen conquistou o título após três dias de provas na região de Andradas, em Minas Gerais, combinando resistência física, domínio do parapente e estratégia para avançar por terra e pelo ar.
A conquista inaugura um capítulo importante para o esporte. Reconhecida e apoiada pela Confederação Brasileira de Voo Livre, a modalidade ganha visibilidade e estrutura competitiva nacional, abrindo espaço para que mais atletas participem e contribuam para seu desenvolvimento.
O primeiro Campeonato Brasileiro de Hike & Fly foi um sucesso e mostrou a força dessa construção coletiva. Nas montanhas da região do Pico do Gavião, a disputa reuniu os elementos que dão identidade à modalidade: leitura meteorológica, planejamento de rota, esforço físico e decisões que precisam ser revistas a cada mudança nas condições. Também evidenciou uma característica que marcou a trajetória do campeão: a cooperação entre pilotos, mesmo quando disputam as primeiras posições.
No Hike & Fly, cada trecho apresenta uma escolha. Os atletas carregam o próprio equipamento e precisam decidir quando caminhar ou correr, por onde subir, onde decolar e quais linhas seguir em voo. Ganhar distância pelo ar depende de encontrar e aproveitar as condições disponíveis; continuar por terra exige administrar o ritmo e o desgaste físico.
Foi nesse equilíbrio que Gabe construiu seu título. Atleta de Curitiba, apoiado pela Itaipu Binacional, ele enfrentou três dias de provas que exigiram diferentes soluções para completar os percursos.
O vento forte, as transições entre montanhas e os deslocamentos até os pontos obrigatórios colocaram à prova sua capacidade de interpretar o cenário e transformar essa leitura em avanço.
A abertura da competição trouxe um dos trechos mais técnicos do campeonato. Entre os pontos obrigatórios estava o pouso na Pedra do Elefante, em uma condição de vento forte e canalizado pelo vale.
Gabe avaliou que seguir diretamente contra a massa de ar comprometeria seu progresso. Optou por cruzar o vale e alcançar uma crista do outro lado, buscando uma linha mais eficiente para chegar ao objetivo.
Segundo o relato do atleta, as faces voltadas para leste ajudaram a sustentar o voo. A partir dali, ele conectou cristas e aproveitou as térmicas disponíveis até alcançar o ponto obrigatório e pousar na Pedra do Elefante.
Depois de cumprir o ponto, voltou a decolar e seguiu com vento de cauda em direção a Andradas. O trabalho ainda continuaria no chão: após o pouso, restavam cerca de cinco quilômetros de corrida para encerrar o dia.

No segundo dia, o vento forte voltou a influenciar a disputa desde a decolagem. Gabe, Renan Fernandes e Nick conseguiram sair antes de boa parte dos competidores e formaram um pelotão que avançou pela cordilheira principal do Pico do Gavião.
Os três compartilharam a leitura das condições, procurando as melhores linhas e as térmicas disponíveis. Seguiram até a antena próxima da cidade e, depois, partiram em direção ao ponto obrigatório. Como a condição ainda não estava plenamente desenvolvida, acabaram pousando.
Gabe completou o ponto e iniciou o retorno por terra em ritmo intenso. Na avaliação do piloto, quem decolasse mais tarde poderia encontrar melhores condições de voo e recuperar a diferença.
A resposta foi manter o esforço até o final. Ele chegou primeiro ao pórtico, seguido poucos minutos depois por Raphael Laghi.
O último dia voltou a aproximar Gabe e Renan Fernandes. Os dois começaram utilizando a face norte da cordilheira e, na sequência, passaram a aproveitar a sustentação da face sul.
Em um dos momentos mais marcantes relatados pelo campeão, encontraram uma linha que permitiu avançar praticamente sem girar térmicas, com um planeio próximo de 20 para 1. Já nas proximidades da estrada de acesso ao Pico do Gavião, aproveitaram uma pequena bolha de ar ascendente e ganharam cerca de 800 metros de altura sobre o terreno.
Com altitude para continuar, cumpriram o próximo pilão e iniciaram o retorno contra o vento. Durante grande parte desse trecho, seguiram trabalhando juntos para interpretar as condições e encontrar possibilidades de avanço.
Mais adiante, Renan pousou. Gabe continuou conectando uma térmica à seguinte, administrando a altitude e mantendo a paciência até chegar ao pórtico na primeira colocação. O resultado assegurou o título e fez dele o primeiro campeão brasileiro de Hike & Fly. Renan encerrou a competição como vice-campeão.
Para Gabe, o companheirismo foi uma das marcas do campeonato. A colaboração com Renan mostrou como a disputa pode conviver com a troca de informações e com o trabalho conjunto em voo.
“Eu e o Renan trabalhamos juntos durante grande parte da prova. Mesmo competindo pelo mesmo campeonato, um ajudava o outro a encontrar as linhas, entender as térmicas e avançar. Esse espírito de união é uma das coisas mais bonitas do Hike & Fly: somos adversários na classificação, mas continuamos sendo pilotos tentando resolver juntos os mesmos desafios que a montanha e o clima apresentam”, afirma Gabriel Jansen.
O relato traduz uma dinâmica importante da modalidade. Cada atleta responde pelas próprias decisões, mas observar outros pilotos e compartilhar a leitura das condições pode ajudar todos a progredir. Em Andradas, esse equilíbrio entre competitividade e cooperação esteve presente até a decisão do título.
A realização do primeiro Campeonato Brasileiro representa um passo concreto no desenvolvimento da modalidade. Ao reconhecer e apoiar o Hike & Fly, dar visibilidade aos atletas e promover a organização de competições de nível nacional, a CBVL contribui para ampliar sua presença no voo livre brasileiro.
O sucesso da edição de Andradas oferece uma base para os próximos capítulos dessa trajetória. A experiência de atletas e organizadores poderá contribuir para aprimorar as competições, fortalecer a participação e aproximar novos pilotos da modalidade.
Para Gabe, o título se soma a uma trajetória que já inclui participações em grandes provas internacionais, como o X-Pyr e o Red Bull X-Alps. Agora, seu nome também fica registrado na história como o primeiro campeão brasileiro de Hike & Fly.
A CBVL parabeniza o campeão e todos os atletas, organizadores, equipes de apoio e pessoas que contribuíram para a realização do campeonato. Uma conquista histórica para Gabe e um marco coletivo para o Hike & Fly no Brasil.