Seleção Brasileira de Asa Delta definida para o Mundial de 2027
Encerrado o ciclo classificatório, a CBVL inicia a preparação da equipe e o estudo dos próximos processos de formação das seleções brasileiras.
Piloto brasileiro percorreu 541,3 km em distância livre e realizou um dos maiores voos de parapente com decolagem natural já registrados no mundo.
O dia 6 de outubro de 2026 entrou para a história do voo livre brasileiro. Decolando da tradicional rampa de Patu, no Rio Grande do Norte, Rafael de Farias Esquillaro percorreu 541,3 quilômetros em distância livre e 561,1 quilômetros OLC, estabelecendo um novo recorde de parapente para a rampa potiguar. No mesmo dia, Samuel Milani também aproveitou as condições excepcionais e percorreu 537 quilômetros em distância livre, registrando o segundo maior voo da história da rampa.
A conquista coloca Rafael entre os protagonistas dos maiores voos de parapente com decolagem natural já realizados no mundo. Pelos registros históricos consultados, sua marca fica atrás apenas dos 564,3 quilômetros conquistados em 2016 pelo trio brasileiro Samuel "Samuka" Nascimento, Rafael Saladini e Donizete Lemos, a partir de Tacima, na Paraíba.
O feito ganha ainda mais importância por ter sido realizado sem reboque, utilizando uma decolagem de montanha em uma região conhecida pelos ventos fortes e pelas condições exigentes do sertão nordestino.
Rafael decolou às 7h07, a bordo de um Niviuk Icepeak X-One 24, e permaneceu no ar por 11 horas e 39 minutos, pousando às 18h46 na região de Cabeceiras, no Piauí. Durante o percurso, atingiu 3.395 metros de altitude e registrou velocidade máxima de 103,9 km/h.
O voo superou a marca anterior da rampa, que pertencia aos europeus Carlos Lopes e Alex Loyarte, com aproximadamente 508 quilômetros OLC.
As condições daquele dia foram particularmente favoráveis para grandes distâncias. Milani, que também decolou de Patu e pousou um pouco antes, alcançou a segunda maior marca da rampa. Embora os dois pilotos tenham feito rota semelhante, ambos realizaram todo o percurso de forma independente.
"Foi uma condição clássica. Não estava tão sinistro para decolar, mas tinha vento bom na rota e boas nuvens. E deu certo", resumiu Rafael.

Natural de Atibaia, São Paulo, onde aprendeu a voar, Rafael vive na Austrália desde 2009 e atualmente integra a equipe australiana de voo livre. Mas sua ligação com o Brasil permanece muito forte.
Sua primeira visita a Patu aconteceu em 2018, quando se apaixonou pelas condições de voo e pela receptividade da população local.
"Fiquei apaixonado demais por Patu, pelo povo aqui de Patu, pelo pessoal da pousada Voa Livre, por voar no sertão de forma geral. É a condição que eu mais gosto de voar no mundo", contou em entrevista após o recorde.
Depois de retornar à região em 2024, Rafael passou a perseguir um objetivo específico: superar os 500 quilômetros de distância decolando de uma rampa.
Em 2025, conseguiu voar 533 quilômetros utilizando reboque, mas considerava que ainda faltava realizar o sonho que realmente o motivava.
"O que eu gosto mesmo é voar da rampa. Eu acho que é muito mais natural, muito mais puro. O reboque é bom, ajuda muito, mas, para mim, é outra história, é completamente diferente."
Em 2026, voltou a Patu determinado a tentar novamente. Logo no primeiro voo, alcançou aproximadamente 440 quilômetros, superando sua melhor marca pessoal na rampa. Poucos dias depois, ampliou o resultado para 479 quilômetros.
Na tentativa seguinte, veio o recorde: 541,3 quilômetros de distância livre.
"Na verdade eu queria fazer um voo de 500 da rampa, não pensava em bater nenhum recorde de rampa, recorde de nada", explicou.
A dimensão internacional da conquista fica mais clara quando se observa a história dos recordes de distância do parapente.
Em 2016, Samuel Nascimento, Rafael Saladini e Donizete Lemos percorreram 564,3 quilômetros de distância livre após decolarem naturalmente de Tacima, na Paraíba. O voo estabeleceu um recorde mundial à época e permanece como uma das maiores referências para voos de distância realizados a partir de rampas.
Com seus 541,3 quilômetros, Rafael Esquillaro chegou a apenas 23 quilômetros daquela marca histórica.
Entre os grandes voos internacionais, destaca-se também Sébastien Kayrouz, que percorreu 501,9 quilômetros decolando naturalmente de Caprock Mountain, no Texas, em 2020. No ano seguinte, Kayrouz estabeleceu um recorde mundial de 609,9 quilômetros, mas dessa vez utilizando reboque.
Essa distinção é importante: embora os voos rebocados tenham alcançado distâncias maiores, a decolagem natural representa um desafio particular, especialmente nas condições de decolagem com vento forte características do sertão brasileiro.

O recorde de Rafael também representa uma valorização de uma tradição importante do voo livre brasileiro: os grandes voos de distância realizados a partir de rampas naturais.
Não faz tanto tempo que essa era a principal forma de buscar recordes no sertão. Os pilotos precisavam enfrentar as decolagens de montanha, muitas vezes sob vento forte, antes de iniciar as longas travessias pelo Nordeste.
Com a evolução das operações de reboque, tornou-se possível iniciar os voos a partir de áreas planas, com maior flexibilidade para escolher o local e o momento da saída. Essa modalidade desempenhou papel fundamental na evolução dos recordes mundiais, mas não substituiu o desafio particular de decolar de uma montanha.
No sertão, onde as primeiras horas do dia são decisivas para alcançar grandes distâncias, uma decolagem com vento forte exige experiência, domínio do equipamento e capacidade de avaliar cuidadosamente as condições de segurança.
É um estilo de voo que mantém vivo o espírito dos pioneiros do cross-country brasileiro.
Para Rafael, o potencial de Patu vai muito além dos números.
"Eu sempre achei que esse local, em termos de voo de rampa, provavelmente tem o maior potencial do mundo", afirmou.
A avaliação reflete não apenas as condições meteorológicas favoráveis, mas também uma estrutura de apoio que vem sendo construída ao longo dos anos por pilotos, moradores, escolas, pousadas e profissionais ligados ao voo livre.
A comunidade local tem papel fundamental nessa história. Desde as primeiras horas da manhã, muitas vezes antes das seis, há pessoas na rampa auxiliando na preparação dos equipamentos e nas decolagens. Equipes de resgate, motoristas e profissionais do turismo trabalham para que os pilotos tenham o suporte necessário durante a temporada.
O acolhimento também se estende à cidade de Patu. A receptividade dos moradores, o apoio ao esporte e a convivência entre pilotos e população fazem parte da identidade do destino.
Para quem percorre centenas de quilômetros e pousa em pequenas comunidades do interior, essa relação humana é uma experiência tão marcante quanto o próprio voo.
Rafael destaca especialmente os encontros com as pessoas do sertão após os pousos, que considera únicos.
Esse ambiente de colaboração ajuda a consolidar Patu como um destino internacional de voo livre e demonstra o impacto positivo que o esporte pode gerar para a economia, o turismo e a comunidade local.
| Informação | Registro |
|---|---|
| Piloto | Rafael de Farias Esquillaro |
| Data | 6 de outubro de 2026 |
| Local de decolagem | Patu (RN) |
| Local de pouso | Cabeceiras (PI) |
| Distância livre | 541,3 km |
| Distância OLC | 561,1 km |
| Distância máxima | 542,6 km |
| Duração | 11h39min29s |
| Horário de decolagem | 7h07 |
| Horário de pouso | 18h46 |
| Altitude máxima | 3.395 m |
| Velocidade máxima | 103,9 km/h |
| Parapente | Niviuk Icepeak X-One 24 |
Fonte: registro do voo e entrevista com Rafael Esquillaro. Informações históricas complementadas por registros da CBVL e da FAI.