Rádio no Voo Livre

Configuração, comunicação e segurança

24 de setembro de 2026 - Por Fernando “Zoio” Brandalize

Entrevista com Rogério Fox

O rádio faz parte da rotina de muitos pilotos de voo livre, seja para a comunicação entre amigos, durante voos de Cross Country, em competições ou em situações de segurança. Mas, apesar de estar presente em praticamente todos esses cenários, muitos pilotos acabam utilizando apenas suas funções mais básicas.

Pensando justamente em ampliar esse conhecimento, Rogério Fox realizou uma transmissão ao vivo trazendo orientações sobre radiocomunicação e algumas das principais configurações que podem fazer diferença durante o voo.

Mais do que simplesmente selecionar uma frequência e apertar o PTT, a proposta foi mostrar como conhecer melhor o equipamento pode deixar a comunicação mais organizada, eficiente e segura.

Conversamos com Rogério para aprofundar alguns dos principais pontos apresentados durante a aula.

Quais configurações todo piloto deveria conhecer?

Para Rogério, algumas funções merecem atenção especial: TOT (Time-Out Timer), Squelch e Subtom, seja CTCSS no sistema analógico ou DCS no digital.

Na prática, cada uma cumpre um papel diferente. O TOT pode limitar o tempo contínuo de transmissão, ajudando a proteger o rádio caso um PTT fique acionado acidentalmente; o Squelch controla a abertura do áudio diante dos sinais recebidos; e o subtom funciona como um filtro de acesso à comunicação entre determinados rádios ou grupos.

Segundo Rogério, quando essas funções estão corretamente configuradas, o rádio passa a trabalhar de forma mais eficiente sem exigir atenção constante do piloto.

Pequenos erros que só aparecem quando já estamos voando

Alguns dos problemas mais comuns começam antes mesmo da decolagem. Frequência configurada incorretamente, bateria sem carga suficiente e falta do bloqueio do teclado podem fazer com que o piloto descubra apenas no ar que não consegue mais se comunicar com o restante do grupo. Um simples toque acidental no rádio, por exemplo, pode alterar a frequência se o Keylock não estiver ativado.

Outro ponto destacado por Rogério é o VOX. Como essa função permite iniciar uma transmissão automaticamente por meio do som, uma sensibilidade muito alta pode fazer com que vento, respiração ou ruídos do equipamento acionem a transmissão sem que o piloto perceba.

“O resultado é um piloto ‘grudado’ no canal sem saber, ocupando a frequência de forma contínua e impedindo que qualquer outro colega da equipe consiga se comunicar.”

Em uma situação normal isso já causa dificuldade. Em uma emergência, pode significar justamente a impossibilidade de outra pessoa utilizar aquela frequência.

Antes da configuração vem a cultura de comunicação

Um ponto importante levantado por Rogério é que não adianta possuir um rádio perfeitamente configurado se não existir disciplina na forma de utilizá-lo.

Para ele, conhecer princípios do radioamadorismo, utilizar mensagens claras e curtas e criar um padrão de comunicação entre os integrantes de uma equipe são passos fundamentais. Indicativos, alfabeto fonético e termos previamente combinados para informações como altitude, térmicas ou pouso reduzem ambiguidades e tornam a comunicação mais rápida, principalmente em um ambiente onde o piloto já precisa lidar com vento, pilotagem e tomada constante de decisões.

É somente depois dessa organização que a tecnologia passa a cumprir melhor seu papel. Como resume Rogério, uma boa configuração deve permitir que o rádio trabalhe praticamente em segundo plano, deixando a atenção do piloto voltada principalmente para o voo.

Quando o rádio se transforma em equipamento de segurança

Em uma emergência, a importância da comunicação aumenta consideravelmente. Rogério destaca que a equipe deve combinar e testar previamente os canais que serão utilizados, verificar bateria, potência e qualidade da recepção e conhecer os procedimentos adotados pelo grupo.

Também é importante que informações críticas sejam transmitidas de forma breve e pausada, especialmente quando envolvem localização, coordenadas ou condição de um piloto. O uso do alfabeto fonético pode ajudar a reduzir erros de compreensão.

“A emergência não é o momento para descobrir como o equipamento funciona.”

Canal, rádio e procedimentos precisam ter sido testados antes.

Funções que muitos pilotos têm no rádio e quase nunca utilizam

Além das configurações mais conhecidas, Rogério chama atenção para recursos disponíveis em muitos equipamentos e que acabam sendo pouco explorados.

Recurso Como pode ajudar
Memórias com nome Permitem identificar canais como EQUIPE, REPETIDORA ou EMERGÊNCIA, reduzindo a chance de troca equivocada.
SCAN Varre automaticamente canais programados e para onde houver tráfego.
Dual Watch Permite acompanhar dois canais, como o da equipe e o de emergência.
Busca de subtom Ajuda a identificar automaticamente o subtom utilizado em determinadas situações e equipamentos.
MONITOR Abre momentaneamente o áudio, ignorando o Squelch, para verificar sinais mais fracos.
Economia de bateria Reduz o consumo em standby e ajuda a ampliar a autonomia em voos longos.
Bluetooth PTT Pode facilitar o acionamento sem retirar a mão do comando, dependendo do equipamento e da instalação.

Grande parte dessas funções já está disponível nos equipamentos utilizados pelos pilotos. Muitas vezes, o que falta é simplesmente conhecer melhor o próprio rádio.

Conhecimento antes de depender do equipamento

Para Rogério, o caminho começa pelo estudo. Ele recomenda conhecer os fundamentos do radioamadorismo, ler o manual do próprio equipamento e buscar a formação adequada para sua utilização. Também destaca a importância do COER - Certificado de Operador de Estação de Radioamador - dentro do processo de formação e regularização junto à ANATEL.

Antes de cada voo, sua recomendação é deixar previamente programados e testados os canais que serão utilizados, revisar funções como TOT, Squelch e Keylock, verificar bateria e combinar com o grupo os procedimentos de comunicação e emergência.

“Não deixe para testar o rádio no dia em que sua vida pode depender dele!”

Conhecimento técnico, configuração previamente testada e disciplina de comunicação são justamente o que transformam o rádio de um simples acessório em uma verdadeira ferramenta de segurança.

Quer se aprofundar no assunto?

A entrevista acima apresenta apenas alguns dos pontos discutidos por Rogério Fox. Na transmissão completa, ele explica com mais detalhes as configurações, recursos e procedimentos apresentados durante a aula, mostrando como pequenas mudanças podem melhorar a comunicação no uso diário, no voo em equipe e também em situações relacionadas à segurança.

Contato com Rogério Fox

Instagram e Facebook: @rogeriofox
E-mail: [email protected]
Aula completa no YouTube

Fernando “Zoio” Brandalize
Diretor Executivo de Competições - CBVL

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