Antes do Primeiro Voo: A Preparação da Nova Geração Brasileira para o Mundial Júnior
Após a morte de um piloto de parapente em São Conrado, Confederação reforça o risco das linhas cortantes e chama atenção para projeto de lei que tramita no Congresso desde 2011
A morte do piloto de parapente Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, após um acidente ocorrido na sexta-feira, 28 de agosto, em São Conrado, no Rio de Janeiro, volta a colocar em evidência um problema que há anos provoca acidentes graves no Brasil: o uso de cerol, linha chilena e outros materiais cortantes em linhas de pipa.
Segundo o Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL), uma linha de pipa com material cortante teria atingido o equipamento durante o voo. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente, e o equipamento foi recolhido para perícia. Após a morte do piloto, o clube suspendeu os voos em São Conrado no sábado, 29 de agosto.
A Confederação Brasileira de Voo Livre manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade de São Conrado e condena o uso de cerol, linha chilena ou qualquer outro material cortante fora dos espaços especificamente regulamentados para essa prática.
Linhas cortantes podem atingir pessoas que sequer participam da atividade. Motociclistas, ciclistas e pedestres estão entre as vítimas recorrentes, mas o risco também alcança aeronaves e praticantes do voo livre.
O próprio Senado, ao analisar a legislação sobre o tema, reconheceu que essas linhas representam perigo para pedestres, ciclistas, motociclistas e aeronaves. Senado Federal
No estado do Rio de Janeiro, a comercialização, compra, porte, posse e uso de cerol, linha chilena e outros produtos com elementos cortantes já são proibidos pela legislação estadual. A Lei nº 8.478/2019 ampliou as restrições anteriormente existentes. Alerj
A existência de legislações estaduais, entretanto, não elimina a necessidade de uma regra federal capaz de estabelecer parâmetros nacionais e responsabilização criminal específica.
A discussão está no Congresso Nacional há mais de 15 anos.
O Projeto de Lei 402/2011 foi apresentado na Câmara dos Deputados em 15 de fevereiro de 2011 pela então deputada Nilda Gondim. Depois de uma longa tramitação, o texto foi aprovado pela Câmara em fevereiro de 2024 e encaminhado ao Senado, onde passou a tramitar como PL 339/2024.
O projeto busca regular a prática esportiva de pipas e proibir o uso irregular de cerol e outros materiais cortantes. Entre as medidas previstas está a tipificação criminal da produção, venda, compra, posse e uso desses materiais fora das condições autorizadas.
Pelo texto aprovado na Comissão de Esporte do Senado, quem utilizar linha cortante fora dos locais permitidos poderá receber pena de um a três anos de detenção. A mesma pena poderá alcançar diferentes formas de produção, comercialização, fornecimento, porte ou posse sem autorização. O projeto também prevê multas, apreensão dos materiais e campanhas educativas.
Ao mesmo tempo, a proposta diferencia o uso indiscriminado dessas linhas da prática esportiva organizada de pipas. O texto estabelece condições específicas para competições, incluindo utilização em pipódromos e regras para fabricação, transporte e utilização de linhas esportivas.
Essa distinção é importante: o problema não é a pipa. É colocar uma linha com poder de corte em locais onde ela pode atingir pessoas.
Em 30 de outubro de 2024, a Comissão de Esporte do Senado aprovou o PL 339/2024 e três emendas. O projeto seguiu então para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Desde aquela data, porém, a situação registrada pelo próprio Senado permanece a mesma: “aguardando designação do relator”.
É nesse ponto que a CBVL considera necessário avançar.
Um projeto que trata de um risco conhecido à população não pode permanecer indefinidamente sem análise. A tragédia ocorrida em São Conrado reforça a necessidade de prevenção, fiscalização, conscientização e de um marco nacional capaz de estabelecer responsabilidades claras.
A CBVL defende que o PL 339/2024 retome sua tramitação na CCJ do Senado e que o tema receba a prioridade compatível com sua importância para a segurança pública.
Pipa faz parte da cultura brasileira e também possui prática esportiva organizada. Preservar essa tradição é perfeitamente compatível com impedir que materiais capazes de ferir e matar sejam utilizados de forma irresponsável.
Linha cortante em local inadequado coloca vidas em risco. Mais de 15 anos de espera por uma legislação federal são tempo demais.