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Realizado entre os dias 10 e 12 de julho, o Encontro Nacional de Pilotos Instrutores reuniu profissionais de várias regiões do país para três dias de debates sobre gestão, segurança, comunicação, regulamentação e o futuro do esporte.
Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, recebeu entre os dias 10 e 12 de julho mais uma edição do Encontro Nacional de Pilotos Instrutores, o ENPI. O evento contou com 134 pilotos confirmados, em sua grande maioria instrutores, e teve uma programação voltada à formação, à troca de experiências e à profissionalização do voo livre.
A edição foi organizada pela Federação Catarinense de Voo Livre, com patrocínio da Sol Paragliders e chancela da CBVL. A presença expressiva do público confirmou o interesse da comunidade por conteúdos que vão além da técnica de voo e ajudam a estruturar a atividade como profissão, serviço e negócio.
Mais do que um encontro de atualização, o ENPI foi um espaço para pensar o presente e o futuro do esporte, conectando pilotos, instrutores, gestores, federações e especialistas em torno de um mesmo objetivo: fortalecer a comunidade do voo.

A grande mudança desta edição esteve no conteúdo. Em vez de concentrar a programação apenas em técnicas de instrução ou pilotagem, o ENPI aprofundou temas relacionados à gestão, formalização, comunicação, segurança, regulamentação e organização profissional.
A proposta foi dialogar com quem já trabalha ou pretende trabalhar com instrução básica e avançada, voos duplos, escolas, operações e outros serviços ligados ao esporte.
A programação começou na sexta-feira, dia 10, com o credenciamento, a entrega de kits e a abertura oficial. Na sequência, Marcio Lichtnow apresentou a palestra “Profissionalismo na Instrução de Voo Livre”, uma das mais elogiadas do encontro.
A apresentação trouxe exemplos práticos sobre planejamento, estrutura empresarial, formalização e a importância de atuar com visão empreendedora. Foi um papo direto sobre CNPJ, organização, sustentabilidade e os desafios reais de quem transforma o voo livre em profissão.
Ainda na sexta-feira, Jesse Silva apresentou o Novo XC Brasil, abrindo espaço para explicar mudanças e iniciativas recentes desenvolvidas pela atual gestão da CBVL.
A programação também contou com uma apresentação de Michele Sossai sobre Hike & Fly, modalidade que segue crescendo e agregando novas experiências ao universo do voo livre.
Na sequência, Hilton Benke abordou a Gestão de Negócios no Voo Livre, destacando a importância de escolas, instrutores e operadores estruturarem melhor seus serviços, custos, processos e planejamento.
Maurício Gatinho falou sobre SIV, enquanto Marcelo Pélio encerrou o primeiro dia com a palestra “O Futuro do Voo Livre no Brasil”.
Foi um dia inteiro dedicado a quem busca evoluir dentro e fora do ar, com uma visão mais ampla sobre a atividade profissional.
O sábado começou com uma apresentação sobre Primeiros Socorros, conduzida por um profissional do Corpo de Bombeiros. O tema reforçou a importância da preparação, do conhecimento e da capacidade de resposta em situações que exigem cuidado e organização.
Depois, a vice-presidente da CBVL, Inahiá Castro, apresentou a palestra “Comunicação e Marketing no Voo Livre”.
Durante a conversa, Inahiá falou sobre o relacionamento do esporte com a imprensa e sobre a necessidade de clubes, escolas, instrutores e organizadores estarem preparados para atender jornalistas, compartilhar informações e apresentar o voo livre de maneira mais completa.
A proposta é deixar de atuar apenas de forma reativa e construir uma comunicação mais organizada, capaz de mostrar o trabalho realizado nas rampas, escolas, competições e eventos.
Como explicado durante a palestra, não basta reclamar que a imprensa aparece apenas diante de acontecimentos fora da normalidade. É preciso saber receber repórteres, oferecer fontes, contextualizar os fatos e mostrar toda a grandiosidade do esporte.
Na parte da tarde, Gilberto Ribeiro apresentou “A Psicologia no Voo Livre”, trazendo reflexões sobre comportamento, tomada de decisão e os aspectos humanos envolvidos na atividade.
Outro destaque do sábado foi a apresentação sobre a Nova Norma Regulamentar, conduzida por Gerônimo, Hilton e Pélio.
O tema esteve ligado a um dos compromissos da atual gestão da CBVL: tornar a Confederação uma facilitadora dos processos, mantendo a seriedade e os critérios necessários, mas buscando reduzir barreiras e melhorar o acesso à regularização.
Entre os assuntos discutidos esteve o reconhecimento do notório saber, especialmente em casos de pilotos e profissionais que possuem experiência comprovada, mas ainda precisam organizar registros, comprovações ou habilitações.
A proposta não é conceder credenciais sem critérios. O objetivo é construir caminhos responsáveis para reconhecer trajetórias, avaliar conhecimentos e permitir que profissionais experientes alcancem a regularização adequada.
Bruno Menescal encerrou o conteúdo técnico do sábado com a apresentação “Voo Duplo — Operação, Organização e Profissionalização”. Ele apresentou como é a complexa e organizada estrutura de operação de Voo Duplo no clube São Conrado (RJ), e como eles construíram esse caminho para hoje serem um exemplo mundial de organização e segurança, numa operação que tem, em média, 300 voos duplos (Asa Delta e Parapente) por dia, e cerca de 100 mil decolagens por ano, considerando também os voos solo.
Ao final do dia, o happy hour e a confraternização criaram mais um momento de troca entre participantes, palestrantes e representantes das entidades.
No domingo, dia 12, Diego Marlon Silva, da Seles das Gerais, abriu a programação com a palestra “Seletes: tipos, modelos, revisão e segurança”.
Na sequência, Ary Pradi falou sobre “O Papel das Federações Estaduais”, reforçando a importância dessas entidades na conexão entre pilotos, clubes, escolas e a estrutura nacional do esporte.
O encerramento aconteceu com uma roda de conversa sobre Organização e Desenvolvimento do Voo Livre, reunindo os palestrantes para ampliar os debates e responder às dúvidas dos participantes.
Ao final, foram entregues os certificados do encontro.

Esta foi a segunda edição consecutiva do ENPI realizada em Jaraguá do Sul. A escolha esteve ligada à qualidade do trabalho desenvolvido na região e à estrutura oferecida pela cidade.
Por ter alcance nacional, o encontro precisa acontecer em um local de fácil acesso, com opções de hospedagem e estrutura suficiente para receber participantes de diferentes estados.
O voo, inclusive, não precisa fazer parte da programação. O foco do ENPI está no conteúdo, na formação profissional e na troca de experiências entre os participantes.
Nesta edição, o trabalho da Federação Catarinense de Voo Livre, com o apoio da Sol Paragliders, ajudou a construir uma estrutura impecável para receber os 134 pilotos confirmados.
Após o sucesso em Santa Catarina, a organização já avalia os próximos passos do encontro.
Ainda não há uma data definida, mas existem conversas para que a próxima edição aconteça no Nordeste, possivelmente em Salvador.
Levar o ENPI para novas regiões significa aproximar a CBVL de diferentes comunidades, ampliar o acesso ao conhecimento e criar novos caminhos para formação, profissionalização e regularização.
O sucesso do ENPI mostra que a comunidade está pronta para discutir de maneira cada vez mais ampla a profissionalização do esporte.
Foram três dias de conteúdo, troca, aprendizado e construção coletiva. Uma programação incrível para reunir pessoas que trabalham diariamente pelo desenvolvimento do voo livre brasileiro.
Ao conectar instrutores, pilotos, federações, gestores e especialistas, o encontro contribui para uma rede mais preparada, organizada e profissional.
A CBVL agradece à Federação Catarinense de Voo Livre, à Sol Paragliders, aos palestrantes, apoiadores e a cada participante que fez parte desta edição.
Foram 134 pilotos juntos para pensar o presente e construir o futuro do voo livre. Uma marca histórica para a nossa comunidade. Bora para o próximo?