15ª Superfinal do PWC chega ao fim em Pegalajar com forte participação brasileira

A elite mundial do parapente se reuniu em Pegalajar — e o Brasil estava lá

25 de maio de 2026 - Por Lucas Axelrud

Pegalajar 2026: encerrada a Superfinal da Copa do Mundo de Parapente

Chegou ao fim, neste sábado (23/5), em Pegalajar, na província de Jaén (sul da Espanha), a 15ª Superfinal da Paragliding World Cup — a competição mais cobiçada do calendário internacional do parapente de cross country. Foram doze dias de prova, do dia 12 ao dia 23 de maio, reunindo cerca de 130 pilotos de aproximadamente 30 países na zona de decolagem das Siete Pilillas, na Sierra Mágina.

O que é a Superfinal

Diferente das etapas regulares do PWC, a Superfinal só recebe os pilotos mais bem ranqueados da temporada anterior — ou seja, é uma reunião exclusiva da elite mundial. A última etapa classificatória foi disputada em abril, em Governador Valadares (MG), e fechou o ciclo de qualificação da temporada 2025. Por nível técnico e densidade de pilotos, muitos consideram a Superfinal ainda mais competitiva que o próprio Mundial da FAI.

Um marco histórico para o sítio

Esta foi a primeira vez que a Superfinal foi disputada em solo espanhol — e apenas a segunda vez em toda a história em que o evento ocorre na Europa (a tradição manda o calendário para a América do Sul, onde as condições de voo de maio costumam ser mais estáveis). Pegalajar tem construído reputação como um dos melhores sítios de competição da Europa: decolagem a apenas 2 km da cidade, funcional em múltiplas direções de vento (W, NW, N, NE) e com potencial XC reconhecido — voos de mais de 200 km em linha reta já foram registrados na região. Antes da Superfinal, Pegalajar sediou Campeonatos Espanhóis, o Europeu de 2024 e o tradicional Niviuk Open.

Condições e características das provas

As tasks exploraram a combinação típica da Andaluzia: térmicas fortes em meio aos olivais e à serra, com transições entre regiões montanhosas e planícies. As tasks oscilaram entre rotas técnicas e voos rápidos, com 86 km logo de saída e cloudbase atingindo cerca de 2.700 metros já no segundo dia, com térmicas entre 3 e 4 m/s. As rotas levaram os pilotos por pontos icônicos da província como Almadén, La Pandera, Jabalcuz e Aznaitín, em paisagens marcadas pelo relevo da Sierra Mágina e pelos vastos olivais da região.

Os brasileiros mandaram bem

A delegação brasileira deu trabalho aos favoritos task a task. Sérgio Sampaio abriu a competição com um 5º lugar na task 1, mostrando que o título conquistado em Aksaray (PWC da Turquia, 2025) não foi acaso. Richard Pethigal repetiu a dose na task 2, também terminando em 5º. E Érico Oliveira brilhou em duas tasks: 4º lugar na task 4 e 8º na task 6 — performances de altíssimo nível diante da elite mundial.

Na classificação geral final, o Brasil teve representantes ao longo de todo o top 100:

  • Érico Oliveira — 24º geral
  • Deonir — 38º geral
  • Sérgio Sampaio — 60º geral
  • Washington Peruchi — 94º geral
  • Mario Monteiro — 99º geral
  • Richard Pethigal — 100º geral
  • Marcella Uchoa — 102º geral e 9ª no feminino

Diante de um campo formado exclusivamente pela elite mundial do PWC, marcar presença task após task já é por si só uma conquista — e o Érico Oliveira merece destaque especial por se aproximar do top 20 entre os melhores do planeta.

Quem brigou pelo título

Entre os favoritos masculinos largaram o francês Baptiste Lambert (atual campeão mundial, com 7 vitórias em etapas PWC e o título de Governador Valadares fresquinho), seu compatriota Honorin Hamard (bicampeão da Superfinal em 2022 e 2023, vencedor do Niviuk Open uma semana antes em Pegalajar) e Maxime Pinot (campeão da Superfinal 2024). No feminino, a francesa Constance Mettetal chegou como bicampeã defendendo o título, com forte oposição da delegação americana — Violeta Jimenez, Alexia Fischer, Galen Kirkpatrick e Jenny O'Neil.

Curiosidades

  • Pegalajar, com pouco mais de 3.000 habitantes, viveu o clima de "final de Champions" durante quase duas semanas, como definiu o presidente do Club Centro de Vuelo de Pegalajar, Antonio Romero
  • A cerimônia de abertura contou com exibição da PAPEA (Patrulha Acrobática de Paraquedismo do Exército do Ar e do Espaço espanhol), incluindo um salto com a bandeira da Espanha
  • O evento contou com aproximadamente 30 delegações desfilando pelas ruas da cidade
  • Pegalajar volta ao calendário PWC em 2027 como Pré-Copa do Mundo (17 a 24/4/2027)

O Brasil segue na rota

A Superfinal encerra oficialmente a temporada 2025 do PWC. A temporada 2026 já está em andamento, com sede confirmada em Baixo Guandu (ES) para uma etapa do PWC entre 3 e 10 de outubro deste ano.

Parabéns aos nossos pilotos pela representatividade e pelo voo de altíssimo nível em Pegalajar!

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