Parapente em Circuito: entenda como funciona o novo formato de corrida que será apresentado no Brasil

Novo modelo propõe provas em circuito fechado, sistema simplificado de pontuação e maior proximidade entre pilotos, organização e público.

26 de maio de 2026 - Por Lucas Axelrud


Quando pensamos em competições de parapente, a imagem mais comum é a de uma prova tradicional de cross country: uma rota definida no briefing, diversos turnpoints espalhados ao longo do percurso e pilotos avançando cada vez mais longe até o goal.

Mas um novo formato começa a ganhar espaço no cenário internacional propondo uma dinâmica diferente: o Parapente em Circuito.

A ideia central é relativamente simples: em vez de uma prova longa que atravessa diferentes regiões, os pilotos disputam uma corrida em um circuito fechado, realizando múltiplas voltas em uma área previamente definida.

Embora a mudança pareça pequena à primeira vista, ela altera diversos aspectos da competição: desde estratégia e pontuação até a forma de acompanhar uma prova.

Como funciona uma prova em circuito

No modelo tradicional, uma rota pode mudar completamente de um dia para outro. O piloto normalmente só conhece o desenho final da prova próximo à decolagem, após a definição das condições meteorológicas.

No Parapente em Circuito a lógica é diferente.

Os percursos são definidos previamente e podem ser estudados com antecedência. Assim, o piloto chega ao evento já conhecendo:

  • formato da rota;

  • características do relevo;

  • possíveis linhas de voo;

  • áreas de pouso;

  • regiões mais técnicas;

  • setores mais favoráveis em diferentes condições.

Na prática a dinâmica acontece assim:

  1. O piloto decola;

  2. Percorre os pontos obrigatórios do circuito;

  3. Completa uma volta;

  4. Retorna ao início do circuito;

  5. Reinicia uma nova volta;

  6. Repete o processo até finalizar a prova.

Dependendo da proposta da disputa, as provas podem ocorrer em dois modelos principais:

Corrida por distância

Os pilotos precisam completar um número determinado de voltas ou uma distância previamente estabelecida.

Exemplo:

  • circuito de 20 km;

  • cinco voltas;

Resultado:

100 km totais de prova.

Corrida por tempo

A disputa ocorre dentro de um tempo limite e o desempenho do piloto é determinado pela evolução durante esse período.


O que muda dentro do voo

Apesar de acontecer em uma área menor, o formato não reduz a complexidade técnica.

Na verdade, alguns elementos podem ganhar ainda mais importância.

Como os pilotos passam repetidamente pelos mesmos setores, pequenas decisões começam a gerar efeitos acumulados:

  • entrar ou não em uma térmica;

  • continuar acelerado;

  • escolher uma linha mais longa;

  • aceitar um pequeno desvio;

  • atacar ou permanecer conservador.

Uma escolha aparentemente simples em uma volta pode representar vários minutos de diferença ao final da corrida.

Isso adiciona um componente tático interessante à prova.

Enquanto no Race to Goal tradicional muitas vezes existe a pressão de "seguir o grupo", o circuito pode abrir mais espaço para estratégias individuais.


O sistema de pontuação busca simplificar os resultados

Outro ponto que chama atenção é a proposta de simplificação do sistema de pontuação.

No modelo tradicional são utilizados diversos componentes como:

  • pontos por distância;

  • pontos por tempo;

  • leading points;

  • fatores de validação.

Para muitos pilotos iniciantes ou espectadores, entender a classificação completa pode não ser algo imediato.

O modelo de circuito propõe algo mais próximo de modalidades como Fórmula 1 e MotoGP:

Cada posição gera uma quantidade fixa de pontos.

Exemplo:

Posição Pontos
40
35
32
31
30

Depois disso a pontuação segue reduzindo progressivamente até os últimos colocados.

Na prática, o piloto passa a depender principalmente do próprio resultado na corrida.


Voltas rápidas também podem gerar pontos extras

Outra característica do formato é a valorização da chamada Fastest Lap, ou volta mais rápida.

Em determinados modelos de circuito, pilotos podem receber pontos adicionais por registrarem as melhores voltas da prova.

Exemplo:

  • volta mais rápida: +5 pontos;

  • segunda melhor volta: +3 pontos;

  • terceira melhor volta: +1 ponto.

Isso cria situações em que um piloto pode não vencer a corrida, mas ainda recuperar posições na classificação geral através de desempenho específico ao longo da disputa.


Um formato pensado também para quem está acompanhando

Talvez a maior mudança percebida pelo público esteja na experiência de acompanhar a prova.

Em competições tradicionais, poucos minutos após a largada os pilotos normalmente desaparecem rumo ao horizonte e a disputa passa a ser acompanhada quase exclusivamente por rastreamento.

No circuito, como os pilotos permanecem em uma área mais concentrada, torna-se possível ampliar a experiência de acompanhamento através de:

  • narração ao vivo;

  • monitoramento em tempo real;

  • painel de LED;

  • visualização constante das posições;

  • acompanhamento mais próximo do desenvolvimento da corrida.

A proposta é tornar mais fácil entender quem está liderando, quem está recuperando posições e como a disputa evolui durante a prova.


Primeira experiência oficial acontecerá no Brasil

A primeira experiência oficial desse formato no país acontecerá durante o SUPER OPEN PARAGLIDING 2026, entre 3 e 5 de julho, em Alfredo Chaves (ES).

O evento apresentará o 1º Campeonato de Parapente em Circuito do Brasil como projeto piloto para desenvolvimento da modalidade e estudos voltados à criação do Ranking Brasileiro de Parapente em Circuito, iniciativa construída junto à CBVL, Federação Capixaba de Voo Livre e Associação de Voo Livre de Alfredo Chaves.

Além da competição em circuito, os pilotos inscritos também serão registrados automaticamente no Campeonato Brasileiro de Precisão e no Troféu Brasil de Speed Race.

Mais do que apresentar uma nova prova, a proposta será observar na prática como esse modelo pode se integrar ao cenário competitivo brasileiro nos próximos anos.

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