15ª Superfinal do PWC chega ao fim em Pegalajar com forte participação brasileira
A elite mundial do parapente se reuniu em Pegalajar — e o Brasil estava lá
Novo modelo propõe provas em circuito fechado, sistema simplificado de pontuação e maior proximidade entre pilotos, organização e público.
Quando pensamos em competições de parapente, a imagem mais comum é a de uma prova tradicional de cross country: uma rota definida no briefing, diversos turnpoints espalhados ao longo do percurso e pilotos avançando cada vez mais longe até o goal.
Mas um novo formato começa a ganhar espaço no cenário internacional propondo uma dinâmica diferente: o Parapente em Circuito.
A ideia central é relativamente simples: em vez de uma prova longa que atravessa diferentes regiões, os pilotos disputam uma corrida em um circuito fechado, realizando múltiplas voltas em uma área previamente definida.
Embora a mudança pareça pequena à primeira vista, ela altera diversos aspectos da competição: desde estratégia e pontuação até a forma de acompanhar uma prova.
No modelo tradicional, uma rota pode mudar completamente de um dia para outro. O piloto normalmente só conhece o desenho final da prova próximo à decolagem, após a definição das condições meteorológicas.
No Parapente em Circuito a lógica é diferente.
Os percursos são definidos previamente e podem ser estudados com antecedência. Assim, o piloto chega ao evento já conhecendo:
formato da rota;
características do relevo;
possíveis linhas de voo;
áreas de pouso;
regiões mais técnicas;
setores mais favoráveis em diferentes condições.
Na prática a dinâmica acontece assim:
O piloto decola;
Percorre os pontos obrigatórios do circuito;
Completa uma volta;
Retorna ao início do circuito;
Reinicia uma nova volta;
Repete o processo até finalizar a prova.
Dependendo da proposta da disputa, as provas podem ocorrer em dois modelos principais:
Corrida por distância
Os pilotos precisam completar um número determinado de voltas ou uma distância previamente estabelecida.
Exemplo:
circuito de 20 km;
cinco voltas;
Resultado:
100 km totais de prova.
Corrida por tempo
A disputa ocorre dentro de um tempo limite e o desempenho do piloto é determinado pela evolução durante esse período.
Apesar de acontecer em uma área menor, o formato não reduz a complexidade técnica.
Na verdade, alguns elementos podem ganhar ainda mais importância.
Como os pilotos passam repetidamente pelos mesmos setores, pequenas decisões começam a gerar efeitos acumulados:
entrar ou não em uma térmica;
continuar acelerado;
escolher uma linha mais longa;
aceitar um pequeno desvio;
atacar ou permanecer conservador.
Uma escolha aparentemente simples em uma volta pode representar vários minutos de diferença ao final da corrida.
Isso adiciona um componente tático interessante à prova.
Enquanto no Race to Goal tradicional muitas vezes existe a pressão de "seguir o grupo", o circuito pode abrir mais espaço para estratégias individuais.
Outro ponto que chama atenção é a proposta de simplificação do sistema de pontuação.
No modelo tradicional são utilizados diversos componentes como:
pontos por distância;
pontos por tempo;
leading points;
fatores de validação.
Para muitos pilotos iniciantes ou espectadores, entender a classificação completa pode não ser algo imediato.
O modelo de circuito propõe algo mais próximo de modalidades como Fórmula 1 e MotoGP:
Cada posição gera uma quantidade fixa de pontos.
Exemplo:
| Posição | Pontos |
|---|---|
| 1º | 40 |
| 2º | 35 |
| 3º | 32 |
| 4º | 31 |
| 5º | 30 |
Depois disso a pontuação segue reduzindo progressivamente até os últimos colocados.
Na prática, o piloto passa a depender principalmente do próprio resultado na corrida.
Outra característica do formato é a valorização da chamada Fastest Lap, ou volta mais rápida.
Em determinados modelos de circuito, pilotos podem receber pontos adicionais por registrarem as melhores voltas da prova.
Exemplo:
volta mais rápida: +5 pontos;
segunda melhor volta: +3 pontos;
terceira melhor volta: +1 ponto.
Isso cria situações em que um piloto pode não vencer a corrida, mas ainda recuperar posições na classificação geral através de desempenho específico ao longo da disputa.
Talvez a maior mudança percebida pelo público esteja na experiência de acompanhar a prova.
Em competições tradicionais, poucos minutos após a largada os pilotos normalmente desaparecem rumo ao horizonte e a disputa passa a ser acompanhada quase exclusivamente por rastreamento.
No circuito, como os pilotos permanecem em uma área mais concentrada, torna-se possível ampliar a experiência de acompanhamento através de:
narração ao vivo;
monitoramento em tempo real;
painel de LED;
visualização constante das posições;
acompanhamento mais próximo do desenvolvimento da corrida.
A proposta é tornar mais fácil entender quem está liderando, quem está recuperando posições e como a disputa evolui durante a prova.
A primeira experiência oficial desse formato no país acontecerá durante o SUPER OPEN PARAGLIDING 2026, entre 3 e 5 de julho, em Alfredo Chaves (ES).
O evento apresentará o 1º Campeonato de Parapente em Circuito do Brasil como projeto piloto para desenvolvimento da modalidade e estudos voltados à criação do Ranking Brasileiro de Parapente em Circuito, iniciativa construída junto à CBVL, Federação Capixaba de Voo Livre e Associação de Voo Livre de Alfredo Chaves.
Além da competição em circuito, os pilotos inscritos também serão registrados automaticamente no Campeonato Brasileiro de Precisão e no Troféu Brasil de Speed Race.
Mais do que apresentar uma nova prova, a proposta será observar na prática como esse modelo pode se integrar ao cenário competitivo brasileiro nos próximos anos.