Pacatuba: voo na época verde, com paisagem renovada e forte identidade regional.
Foto: Roger Messala Pimentel “Rogin”.
Dentro do movimento que vem ganhando força no Nordeste durante a chamada temporada verde, a Copa Cearense de Voo Livre surge como mais um exemplo importante de organização, desenvolvimento regional e construção de um calendário competitivo mais amplo para o voo livre brasileiro.
Durante muitos anos, o Nordeste foi lembrado principalmente pelos grandes voos da temporada seca, pelas longas distâncias e pelos recordes mundiais que marcaram a história do Cross Country. Essa identidade segue sendo uma das maiores forças da região. Mas, aos poucos, uma nova fase vem se consolidando.
Eventos realizados fora da época clássica dos recordes têm mostrado que o Nordeste também oferece excelentes condições para competições técnicas, aprendizado, integração entre pilotos e fortalecimento dos polos locais de voo.
Uma Copa para desenvolver pilotos, rampas e calendário
A Copa Cearense 2026 começa a tomar forma como uma ferramenta de desenvolvimento esportivo. A proposta vai além de definir campeões: ela cria oportunidades para que pilotos de diferentes níveis possam evoluir tecnicamente, ganhar experiência competitiva e se preparar para eventos regionais e nacionais.
Segundo Roger Messala Pimentel “Rogin”, piloto cearense e presidente do CPVL - Clube Pacatuba de Voo Livre, o principal objetivo da Copa Cearense de Voo Livre é fortalecer o esporte no estado, promovendo a evolução técnica dos pilotos, incentivando novos atletas e criando um calendário competitivo organizado.
“Mais do que uma competição, é uma ferramenta de desenvolvimento e integração da comunidade do voo livre cearense.”
— Roger Messala Pimentel “Rogin”
A Copa também valoriza os polos de voo do Ceará, fomenta o turismo esportivo, incentiva a segurança e fortalece a base de pilotos que poderão, no futuro, participar de competições de maior porte dentro e fora do Nordeste.
Três etapas, três momentos importantes para o Ceará
A Copa Cearense 2026 foi pensada em três etapas, cada uma com sua própria identidade. A primeira, em Tianguá, já foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de maio. A segunda será em Pacatuba, nos dias 21, 22 e 23 de agosto. A terceira etapa será em Quixadá, ainda com data a definir.
1ª etapa | Tianguá
A etapa de abertura será realizada em Tianguá, no noroeste do Ceará, em uma região de serra próxima à divisa com o Piauí. O local representa uma oportunidade importante para valorizar novos polos de voo e ampliar o alcance competitivo do estado.
2ª etapa | Pacatuba
A segunda etapa acontece em Pacatuba, uma das rampas mais próximas da capital Fortaleza. A proximidade com a região metropolitana ajuda a aproximar pilotos, clubes, público e comunidade local do ambiente competitivo.
3ª etapa | Quixadá
A terceira e última etapa será na região de Quixadá, uma das rampas mais famosas do voo livre mundial. Conhecida pelos grandes voos de distância, a região também vem mostrando potencial para competições técnicas fora da temporada clássica dos recordes.
Tianguá abriu a Copa Cearense 2026 nos dias 15, 16 e 17 de maio, levando a primeira etapa para a região noroeste do Ceará, em uma área de serra próxima à divisa com o Piauí. A etapa marcou o início do calendário estadual e reforçou a proposta da Copa: valorizar diferentes polos de voo do Ceará e criar uma sequência organizada de eventos ao longo do ano.
Pacatuba: segunda etapa nos dias 21, 22 e 23 de agosto

Pacatuba: etapa próxima à capital Fortaleza, fortalecendo a conexão entre clubes, pilotos e comunidade local.
Foto: Roger Messala Pimentel “Rogin”.
A segunda etapa da Copa Cearense será realizada em Pacatuba, nos dias 21, 22 e 23 de agosto. A presença de Pacatuba no calendário é estratégica. Além de ser uma das rampas mais próximas de Fortaleza, a região tem grande potencial para aproximar o voo livre do público, incentivar novos pilotos e fortalecer a conexão entre clubes, pilotos e comunidade local.
Essa etapa reforça uma das principais funções da Copa Cearense: criar regularidade competitiva dentro do estado, oferecendo um caminho mais claro para pilotos que desejam evoluir e participar de eventos de maior nível técnico.
Com o apoio do CPVL - Clube Pacatuba de Voo Livre, pilotos engajados e uma localização que favorece a participação regional, Pacatuba representa uma peça importante na consolidação do calendário cearense.
A temporada verde como ambiente de aprendizado
Um dos pontos mais importantes desse movimento é a realização de competições durante a época verde. Nesse período, as condições costumam ser diferentes da temporada seca: normalmente há mais umidade, melhor formação de nuvens, temperaturas mais amenas e um ambiente mais confortável para os pilotos.
As térmicas tendem a ser menos agressivas e as provas ganham um caráter mais técnico e estratégico. Isso permite que pilotos em evolução tenham contato com o ambiente competitivo em condições mais acessíveis, ao mesmo tempo em que desafia pilotos mais experientes na leitura do clima, escolha de linhas e tomada de decisão.
“A época verde favorece provas mais estratégicas, seguras e acessíveis, contribuindo para a evolução dos atletas e para o fortalecimento do voo livre no estado.”
— Roger Messala Pimentel “Rogin”
Quixadá: terceira etapa, ainda com data a definir

Quixadá: estrutura de rampa e ambiente de decolagem em uma das regiões mais conhecidas do voo livre mundial.
Foto: José William dos Santos “Galego”.
A terceira e última etapa da Copa Cearense será realizada na região de Quixadá, ainda com data a definir. Essa etapa conecta a Copa a uma das histórias mais fortes do voo livre brasileiro. A região é reconhecida internacionalmente pelos grandes voos de distância, mas também vem ajudando a mostrar que o Nordeste tem potencial para receber eventos de qualidade em diferentes épocas do ano.
Com a participação de pilotos e lideranças locais, como José William dos Santos “Galego”, do Clube de Voo Livre de Quixadá, esse movimento contribui para ampliar a visão sobre a região: Quixadá não é apenas um destino para recordes, mas também um palco para provas técnicas, aprendizado e integração.

Quixadá: nuvens, linhas de voo e leitura estratégica durante a época verde.
Foto: José William dos Santos “Galego”.
Um modelo que fortalece o estado e inspira o Nordeste
A criação de um calendário estadual estruturado é um passo fundamental para o crescimento do esporte. Regiões como Sul e Sudeste do Brasil já possuem uma tradição mais antiga em campeonatos estaduais, circuitos regionais e eventos de Race organizados ao longo do ano. Agora, o Nordeste começa a consolidar também seus próprios caminhos, adaptados à realidade local, às suas rampas, aos seus pilotos e às suas características climáticas.
A Copa Cearense segue exatamente nessa direção. Ela cria regularidade, movimenta clubes e federações, incentiva a participação de novos pilotos e ajuda a preparar atletas para competições maiores. Além disso, fortalece os municípios que recebem as etapas, movimentando o turismo esportivo e aproximando o voo livre das comunidades locais.
Esse crescimento não acontece de forma isolada. Ele se conecta com outros movimentos importantes da região, como o Quixadá Verde, o Patu Verde e a perspectiva de novos calendários envolvendo Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e outros estados nos próximos anos.
O Nordeste além dos recordes
A alta temporada no Nordeste segue sendo fantástica para grandes voos e recordes. Ela faz parte da identidade do voo livre brasileiro e continuará atraindo pilotos do mundo inteiro. Mas a época verde vem mostrando outro lado da região.
Um Nordeste com condições mais equilibradas, provas técnicas, paisagens renovadas, maior conforto para os pilotos e grande potencial para eventos bem organizados.
Isso amplia a visão sobre o que a região pode oferecer ao voo livre nacional. O Nordeste não é apenas um destino para quem busca grandes marcas. É também um palco de aprendizado, formação de atletas, integração da comunidade e desenvolvimento de competições de qualidade.
Um convite aos pilotos
Os pilotos que vierem participar da Copa Cearense encontrarão muito mais do que uma competição. Encontrarão provas técnicas, boas condições de voo, paisagens únicas, organização em crescimento e uma comunidade apaixonada pelo esporte.
Também encontrarão a hospitalidade nordestina, a troca de experiência entre pilotos de diferentes níveis e a oportunidade de conhecer novas rampas em uma época diferente do ano.
“Venham conhecer o Ceará em uma época diferente, participar desse movimento e descobrir tudo o que o Nordeste tem a oferecer dentro e fora das competições.”
Fernando “Zoio” Brandalize
Diretor Executivo de Competições – CBVL