Cloud Suck: como evitar ser sugado para dentro da nuvem no voo livre
Recorde anterior datava de 2012
Atenção pilotos! No dia 20 de janeiro de 2026, o piloto gaúcho Marcelo Wickert, o conhecido Lurdinha, alcançou uma marca histórica para o voo livre do Rio Grande do Sul: 328,5 km de distância livre em parapente, decolando da tradicional rampa Cerro da Angélica, em Caçapava do Sul (RS), e pousando em Artigas, no Uruguai.
O feito superou o recorde anterior de 326,8 km, registrado em 2012 por Luciano Horn, Alfio Vegni e Donizete “Bigode” Lemos, também saindo da Angélica. Após mais de uma década, uma nova história foi escrita — com muito merecimento. A marca também representa o novo recorde Sul Brasileiro de distância em parapente.
A conquista de Lurdinha não foi por acaso: ele está há anos perseguindo esse recorde, com persistência, estratégia e muitos voos acumulados. E justamente num ano em que a temporada começou mais tarde, com menos dias clássicos que o habitual, o piloto soube esperar o momento certo. Quando a previsão deu o sinal de vento leste moderado a forte, ele e os parceiros partiram pra Caçapava sem hesitar.
O dia começou azul, mas logo a condição engrenou. Lurdinha decolou por volta das 11h e seguiu com o vento caudal em um céu alinhado, voando com médias constantes e trechos em que atingiu até 85 km/h de velocidade máxima. Térmicas fortes e base generosa garantiram o ritmo forte durante todo o trajeto. No final da tarde, avistou um ponto seguro para pouso e decidiu garantir o resgate — e só então descobriu que estava mais de 40 km dentro do Uruguai.
E o próprio Lurdinha resume assim o momento:
"Era passeio, literalmente. Térmicas boas, 3,5, 4 constante. Tu ia na base e subia. Não tinha erro assim. E o alinhamento? Eu nunca tinha visto algo assim... surreal."
A rampa Cerro da Angélica, em Caçapava do Sul, segue firme como um dos grandes nomes do cross country no Brasil. Cercada por lindas serras e com áreas amplas de pouso, ela oferece um cenário incrível para voos longos, especialmente em dias de vento leste, que é o padrão ideal para explorar a região e buscar marcas expressivas.
Mesmo com uma temporada menos intensa, Caçapava entregou mais uma vez. E o voo do Lurdinha é mais uma linha de ouro na história da rampa e do voo livre gaúcho.
Esse recorde é a cara do que é o voo livre: dedicação, paciência, leitura de condição e paixão pelo que se faz. Lurdinha mostrou que vale a pena sonhar alto e ir atrás.
Parabéns, Lurdinha! Que essa conquista inspire muitos outros pilotos a tirarem voos do chão e a fortalecerem, cada vez mais, a nossa comunidade.