CBVL conquista certificação 18-A e amplia oportunidades para o voo livre brasileiro
A segurança no voo livre é construída em detalhes. Pequenas ações, muitas vezes consideradas inofensivas, podem se transformar em situações críticas — especialmente quando acontecem próximas ao solo.
Um caso recente ocorrido durante o Open Pancas reforça um ponto essencial: voar com apenas uma mão nos comandos reduz drasticamente a capacidade de reação do piloto.
O parapente é uma aeronave que exige pilotagem ativa. Isso significa que o piloto precisa estar constantemente ajustando a asa às condições do ar.
Ao voar com apenas uma mão:
há perda imediata de controle simétrico
o tempo de resposta a uma perturbação aumenta
correções finas deixam de ser possíveis
a leitura e reação ao ar ficam comprometidas
Mesmo em condições aparentemente tranquilas, o ar pode apresentar variações rápidas. E nesses momentos, a reação precisa ser instantânea.
Colapsos fazem parte do voo. O que define a segurança é a capacidade de resposta do piloto.
Quando um colapso assimétrico ocorre:
é necessário agir rapidamente no lado aberto
evitar a entrada em rotação
controlar o mergulho subsequente
Com uma mão ocupada, essa resposta pode atrasar segundos decisivos — especialmente em baixa altura.
Próximo ao solo, qualquer evento exige precisão absoluta.
A combinação de fatores como:
baixa altura
turbulência ou perda de pressão
controle reduzido
pode transformar uma situação comum em um cenário crítico em poucos segundos.
O piloto Mateus Haase compartilhou sua experiência após um colapso assimétrico ocorrido durante o Open Pancas:
"Meu problema ali foi tirar a mão para mexer no aparelho, segundos antes da vela perder pressão
Quando tirei a mão, passou segundos senti a leveza. Ai olhei pra cima tava fechando. Mas mesmo retirando a mão, segurei os 2 batoques com a mão esquerda. Mas, não teve jeito, tomei o catrapo. Qnd percebi o catrapo automaticamente retomei com a mão direita no batoque direito e dei aquela puxada, e aí a vela reabriu, Mas deu aquela mergulhada. Vi a copa da árvore na minha frente. Mas graças a Deus deu pra contornar, por tinha altitude para não me chocar com a copa da árvore, e segui o voo"
O relato evidencia como poucos segundos e uma simples ação podem desencadear uma sequência de eventos que exigem resposta rápida e precisa.
Mexer em equipamentos durante o voo — como variômetro, rádio ou celular — reduz a capacidade de perceber sinais importantes do ar, como:
perda de pressão na asa
mudanças na massa de ar
início de colapsos
A prioridade deve ser sempre o controle da aeronave.
Treinamentos e programas de formação são consistentes ao reforçar:
manter ambas as mãos nos comandos durante o voo ativo
realizar ajustes em equipamentos apenas com altitude e em ar estável
priorizar sempre o controle da asa
À medida que o piloto evolui para velas de maior performance, a exigência por pilotagem ativa aumenta significativamente, reduzindo ainda mais a margem para distrações
A construção de um voo seguro passa por hábitos consistentes.
Manter as duas mãos nos comandos não é apenas uma recomendação — é um princípio básico de segurança.
A atenção constante, o respeito às condições e a disciplina na pilotagem são fundamentais para que todos possam continuar evoluindo no esporte com segurança.
Fortalecer essa cultura é responsabilidade de todos.
Crédito imagens: Renan César