Atenção pilotos: pilotar com uma mão pode custar o controle do voo

08 de abril de 2026 - Por Lucas Axelrud

A segurança no voo livre é construída em detalhes. Pequenas ações, muitas vezes consideradas inofensivas, podem se transformar em situações críticas — especialmente quando acontecem próximas ao solo.

Um caso recente ocorrido durante o Open Pancas reforça um ponto essencial: voar com apenas uma mão nos comandos reduz drasticamente a capacidade de reação do piloto.


O que acontece quando você tira uma das mãos do comando

O parapente é uma aeronave que exige pilotagem ativa. Isso significa que o piloto precisa estar constantemente ajustando a asa às condições do ar.

Ao voar com apenas uma mão:

  • há perda imediata de controle simétrico

  • o tempo de resposta a uma perturbação aumenta

  • correções finas deixam de ser possíveis

  • a leitura e reação ao ar ficam comprometidas

Mesmo em condições aparentemente tranquilas, o ar pode apresentar variações rápidas. E nesses momentos, a reação precisa ser instantânea.


Colapsos assimétricos exigem resposta imediata

Colapsos fazem parte do voo. O que define a segurança é a capacidade de resposta do piloto.

Quando um colapso assimétrico ocorre:

  • é necessário agir rapidamente no lado aberto

  • evitar a entrada em rotação

  • controlar o mergulho subsequente

Com uma mão ocupada, essa resposta pode atrasar segundos decisivos — especialmente em baixa altura.


Baixa altura não permite margem de erro

Próximo ao solo, qualquer evento exige precisão absoluta.

A combinação de fatores como:

  • baixa altura

  • turbulência ou perda de pressão

  • controle reduzido

pode transformar uma situação comum em um cenário crítico em poucos segundos.


Relato do piloto

O piloto Mateus Haase compartilhou sua experiência após um colapso assimétrico ocorrido durante o Open Pancas:

"Meu problema ali foi tirar a mão para mexer no aparelho, segundos antes da vela perder pressão
Quando tirei a mão, passou segundos senti a leveza. Ai olhei pra cima tava fechando. Mas mesmo retirando a mão, segurei os 2 batoques com a mão esquerda. Mas, não teve jeito, tomei o catrapo. Qnd percebi o catrapo automaticamente retomei com a mão direita no batoque direito e dei aquela puxada, e aí a vela reabriu, Mas deu aquela mergulhada. Vi a copa da árvore na minha frente. Mas graças a Deus deu pra contornar, por tinha altitude para não me chocar com a copa da árvore, e segui o voo"

O relato evidencia como poucos segundos e uma simples ação podem desencadear uma sequência de eventos que exigem resposta rápida e precisa.


Atenção dividida é fator de risco

Mexer em equipamentos durante o voo — como variômetro, rádio ou celular — reduz a capacidade de perceber sinais importantes do ar, como:

  • perda de pressão na asa

  • mudanças na massa de ar

  • início de colapsos

A prioridade deve ser sempre o controle da aeronave.


Boas práticas de segurança

Treinamentos e programas de formação são consistentes ao reforçar:

  • manter ambas as mãos nos comandos durante o voo ativo

  • realizar ajustes em equipamentos apenas com altitude e em ar estável

  • priorizar sempre o controle da asa

À medida que o piloto evolui para velas de maior performance, a exigência por pilotagem ativa aumenta significativamente, reduzindo ainda mais a margem para distrações


Uma mensagem para toda a comunidade

A construção de um voo seguro passa por hábitos consistentes.

Manter as duas mãos nos comandos não é apenas uma recomendação — é um princípio básico de segurança.

A atenção constante, o respeito às condições e a disciplina na pilotagem são fundamentais para que todos possam continuar evoluindo no esporte com segurança.

Fortalecer essa cultura é responsabilidade de todos.

Crédito imagens: Renan César

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